Eu tenho tantas metades espalhadas
Que ficava difícil saber aonde eu estou
Em que metade dessas eu fiquei
A que me recordo é na crença de tudo
Qualquer palavra junta
Em qualquer contexto
De qualquer boca
Me apetece
E acho que essa é mais uma daquelas coisas burras
Que a gente faz a vida toda
A todo instante
Acreditar
No mais cordeiro ao mais lobo
Que acabam o fim sendo todos travestidos
Da minha culpa de projetar humanidade nas pessoas
As pessoas são minhoquinhas enfiadas em um anzol jogados a mar intenso que não entendem
Elas não realmente sabem
Ate a minha dor e um reflexo do meu inconsciente de que eu devia saber
Mas eu não devo realmente saber sentir
Nem sei saber.
'Certas burrices são indesculpáveis e é bom que haja mistérios insondáveis em nossas biografias'
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Cubo
Ela se sentou no banco de uma praça mal localizada no extremo dos dois caminhos, do seu e do homem ao seu lado.
A rua pouco iluminada com passageiros de aspecto estranho e disforme passam por eles.
Ele está sério, e parecia confuso, por várias vezes limpou seu óculos que nem sequer estava sujo e analisava o presente que ela acabava de dar, um globo em forma de dado de trinta centímetros de largura e comprimento que ele paquerava desde o início do namoro deles e ela finalmente resolveu compra-lo.
Agora, parecia estúpido e desnecessário o presente surpresa, pois quem estava surpresa era ela, alguma coisa nele indicava um sinal de que alguma coisa havia saído de forma.
Carla, você sabe que eu te amo e que você é muito importante na minha vida, eu quero que você saiba que você não tem culpa de nada, só que eu não posso continuar com isso.
Do que você está falando? Não gostou do presente?
Eu amei querida, eu queria muito esse dado, mas estou falando de nós.
Nós? Nós estamos bem, quero dizer, você anda trabalhando muito, mas isso é bom, não?
Eu não ando trabalhando muito Carla, eu estou voltando com minha ex mulher, você se lembra daquele casamento que eu fotografei? Eu a encontrei, nós conversamos e estamos nos acertando.
…
Eu só quero que você entenda, não é você, sou eu..
Carla estava aturdida demais para qualquer emoção, aquilo realmente não devia estar acontecendo, seus olhos ficaram estranhamente secos, como sua garganta e ela não conseguiu esboçar nenhum som, a figura de Caio agora era apenas um borrão distante e sua palavras não fizeram efeito nenhum dentro da sua mente. Pareceu apenas um sonho apático ruim que ela não conseguia acordar.
Você está me entendendo, Carla? Eu espero que me desculpe por tudo isso, pode levar o dado se você quiser, eu vou entender.
Claro que não Caio, é um presente, eu só preciso de um minuto, tá legal? Pra eu poder assimilar tudo, eu vou pra casa.
Deixa que eu te levo.
Não! Eu quero ir só.
Carla seguiu a rua escura sem som dentro da cabeça, parecia um quadro distante, depois de todos aqueles meses o fim dos dois seria assim? Um término frio em uma rua estranha as palavras ouvidas “Não é você, sou eu” que ela nunca pensou que realmente ouviria soavam na sua cabeça como uma piada.
Passos a frente sentiu alguém olhando, era um homem de boné vermelho que caminhava na outra calçada que vez e outra a olhava, devia estar se perguntando por quê aquela mulher se esgueirava rua adentro aquela hora da noite, sozinha com a expressão de que foi atropelada por um ônibus e não se deu conta, o homem de boné vermelho atravessou a rua em sua direção, mas Carla só conseguia pensar em como fará para pegar suas coisas na casa dele e a quanto tempo está sendo feita de completa idiota comprando presentes para o homem que a estava traindo sem que isso lhe passasse pela cabeça, e ela toda preocupada por todo esse tempo com ele.
Moça, discretamente, não faça nenhum movimento e passa seu celular.
O quê?
O homem de boné vermelho se agarrou a seu braço e pressionou algo metálico em sua pele, seus dedos duros fizeram pressão e ela não conseguia prestar atenção nele.
Moça, eu não estou brincando, isso é um assalto, passa logo a porra do celular antes que eu te enfie uma bala.
-Celular? Que celular? Eu não estou com celular, nem dinheiro, nem namorado, nada, deu pra você ver não?
Não me obrigue a atirar moça - Ele mostrou o objeto prateado escondido até então por dentro do casaco e a chaqualhou rudemente enquanto caminhava mais devagar. Para ela, nada daquela cena fazia o menos sentido, nem Caio, nem o moço de boné vermelho, nem a arma apontada para suas costelas.
Carla achou estranho sua própria ausência de emoção e parou de caminhar mesmo o contrariando seu suposto assaltante e o olhou bem de perto, ele parecia um cão com olhos de raiva, confusão e impaciência e a única coisa que Carla fez foi sorrir.
Sabe de uma coisa? Eu estou dizendo a verdade, eu adoraria ajudar, mas você me pegou desprevenida, não tenho nada comigo, pode até me revistar, mas sabe, acabo de deixar um homem na praça, não deve estar muito longe daqui, se o senhor se apressar o senhor ainda alcança, ele sim, tem dinheiro,celular, uma câmera fotográfica que vale pelo menos mil reais ao você.
Ah! E com vários homens indo e vindo por aqui seria muito fácil encontrá-lo, francamente!pensa que eu sou algum otário?
É fácil, ele está carregando um dado enorme, você não tem nada a perder.
O assaltante de boné vermelho a encarou desconfiado e resoluto. Ele realmente não tinha nada a perder, pressionou a arma mais uma vez só que dessa vez com mais forma forte machucando sua pele e a encurralou na parede. Ela por sua vez não demonstrava nenhum medo ou desespero, apenas certeza e frieza a ela.
Eu espero que você não esteja brincando moça, matar você seria fácil.
Se você não demorar ainda estarei descendo a rua, vai me agradecer, acredite, é só procurar um homem com um dado enorme.
Você é louca!
Sem tempo a perder o assaltante segue o outro caminho em direção a sua próxima vítima, ainda olhando de soslaio a moça estranha que caminha como se nada tivesse lhe acontecido, como se fosse comum assaltou, plantas de vítimas a ladrões e armas apontadas para ela.
Carla, por sua vez volta a caminhar descendo a rua em direção a sua casa. Com todos os acontecimentos irreais daquela noite a única coisa que realmente esperava era que um sorriso lhe atravessasse descaradamente o rosto, mas mesmo assim, sorriu.
A rua pouco iluminada com passageiros de aspecto estranho e disforme passam por eles.
Ele está sério, e parecia confuso, por várias vezes limpou seu óculos que nem sequer estava sujo e analisava o presente que ela acabava de dar, um globo em forma de dado de trinta centímetros de largura e comprimento que ele paquerava desde o início do namoro deles e ela finalmente resolveu compra-lo.
Agora, parecia estúpido e desnecessário o presente surpresa, pois quem estava surpresa era ela, alguma coisa nele indicava um sinal de que alguma coisa havia saído de forma.
Carla, você sabe que eu te amo e que você é muito importante na minha vida, eu quero que você saiba que você não tem culpa de nada, só que eu não posso continuar com isso.
Do que você está falando? Não gostou do presente?
Eu amei querida, eu queria muito esse dado, mas estou falando de nós.
Nós? Nós estamos bem, quero dizer, você anda trabalhando muito, mas isso é bom, não?
Eu não ando trabalhando muito Carla, eu estou voltando com minha ex mulher, você se lembra daquele casamento que eu fotografei? Eu a encontrei, nós conversamos e estamos nos acertando.
…
Eu só quero que você entenda, não é você, sou eu..
Carla estava aturdida demais para qualquer emoção, aquilo realmente não devia estar acontecendo, seus olhos ficaram estranhamente secos, como sua garganta e ela não conseguiu esboçar nenhum som, a figura de Caio agora era apenas um borrão distante e sua palavras não fizeram efeito nenhum dentro da sua mente. Pareceu apenas um sonho apático ruim que ela não conseguia acordar.
Você está me entendendo, Carla? Eu espero que me desculpe por tudo isso, pode levar o dado se você quiser, eu vou entender.
Claro que não Caio, é um presente, eu só preciso de um minuto, tá legal? Pra eu poder assimilar tudo, eu vou pra casa.
Deixa que eu te levo.
Não! Eu quero ir só.
Carla seguiu a rua escura sem som dentro da cabeça, parecia um quadro distante, depois de todos aqueles meses o fim dos dois seria assim? Um término frio em uma rua estranha as palavras ouvidas “Não é você, sou eu” que ela nunca pensou que realmente ouviria soavam na sua cabeça como uma piada.
Passos a frente sentiu alguém olhando, era um homem de boné vermelho que caminhava na outra calçada que vez e outra a olhava, devia estar se perguntando por quê aquela mulher se esgueirava rua adentro aquela hora da noite, sozinha com a expressão de que foi atropelada por um ônibus e não se deu conta, o homem de boné vermelho atravessou a rua em sua direção, mas Carla só conseguia pensar em como fará para pegar suas coisas na casa dele e a quanto tempo está sendo feita de completa idiota comprando presentes para o homem que a estava traindo sem que isso lhe passasse pela cabeça, e ela toda preocupada por todo esse tempo com ele.
Moça, discretamente, não faça nenhum movimento e passa seu celular.
O quê?
O homem de boné vermelho se agarrou a seu braço e pressionou algo metálico em sua pele, seus dedos duros fizeram pressão e ela não conseguia prestar atenção nele.
Moça, eu não estou brincando, isso é um assalto, passa logo a porra do celular antes que eu te enfie uma bala.
-Celular? Que celular? Eu não estou com celular, nem dinheiro, nem namorado, nada, deu pra você ver não?
Não me obrigue a atirar moça - Ele mostrou o objeto prateado escondido até então por dentro do casaco e a chaqualhou rudemente enquanto caminhava mais devagar. Para ela, nada daquela cena fazia o menos sentido, nem Caio, nem o moço de boné vermelho, nem a arma apontada para suas costelas.
Carla achou estranho sua própria ausência de emoção e parou de caminhar mesmo o contrariando seu suposto assaltante e o olhou bem de perto, ele parecia um cão com olhos de raiva, confusão e impaciência e a única coisa que Carla fez foi sorrir.
Sabe de uma coisa? Eu estou dizendo a verdade, eu adoraria ajudar, mas você me pegou desprevenida, não tenho nada comigo, pode até me revistar, mas sabe, acabo de deixar um homem na praça, não deve estar muito longe daqui, se o senhor se apressar o senhor ainda alcança, ele sim, tem dinheiro,celular, uma câmera fotográfica que vale pelo menos mil reais ao você.
Ah! E com vários homens indo e vindo por aqui seria muito fácil encontrá-lo, francamente!pensa que eu sou algum otário?
É fácil, ele está carregando um dado enorme, você não tem nada a perder.
O assaltante de boné vermelho a encarou desconfiado e resoluto. Ele realmente não tinha nada a perder, pressionou a arma mais uma vez só que dessa vez com mais forma forte machucando sua pele e a encurralou na parede. Ela por sua vez não demonstrava nenhum medo ou desespero, apenas certeza e frieza a ela.
Eu espero que você não esteja brincando moça, matar você seria fácil.
Se você não demorar ainda estarei descendo a rua, vai me agradecer, acredite, é só procurar um homem com um dado enorme.
Você é louca!
Sem tempo a perder o assaltante segue o outro caminho em direção a sua próxima vítima, ainda olhando de soslaio a moça estranha que caminha como se nada tivesse lhe acontecido, como se fosse comum assaltou, plantas de vítimas a ladrões e armas apontadas para ela.
Carla, por sua vez volta a caminhar descendo a rua em direção a sua casa. Com todos os acontecimentos irreais daquela noite a única coisa que realmente esperava era que um sorriso lhe atravessasse descaradamente o rosto, mas mesmo assim, sorriu.
domingo, 30 de maio de 2010
Cores
A linha se esvaideceu em minha mente
O horizonte me deixou
Me deitou em cacos de vidro verde
E me lembrou de como você era
Tão perto do mar
Estendido sobre uma pedra de areia
A lua testemunhou
Um carro vermelho voando pelo céu
Tudo em rotação lenta
Um telhado no calor corpóreo,
Agora há cores em mim
Se misturando com as cores que sempre tiveram em tí
Uma gota se desprende de mim
Coisas que nunca pensei sentir
E quanto mais penso,
Mais triste fica
Como se fosse hoje
O dia que eu fosse te cruzar
Não podia imaginar
A minha alegria
De poder ser livre à você
De ter minhas raízes em você
Não me desencorage agora
Que descrevi meus planos
E se o céu não estiver colorido de púrpura
Eu trouxe todas as suas tintas
Favoritas
Um vento azul me correu o corpo
Furioso pela minha tormenta
Brincando com meus botões
Me acariciando de você
Me acariciando de você
Me acariciando de você
Me acariciando de você
O horizonte me deixou
Me deitou em cacos de vidro verde
E me lembrou de como você era
Tão perto do mar
Estendido sobre uma pedra de areia
A lua testemunhou
Um carro vermelho voando pelo céu
Tudo em rotação lenta
Um telhado no calor corpóreo,
Agora há cores em mim
Se misturando com as cores que sempre tiveram em tí
Uma gota se desprende de mim
Coisas que nunca pensei sentir
E quanto mais penso,
Mais triste fica
Como se fosse hoje
O dia que eu fosse te cruzar
Não podia imaginar
A minha alegria
De poder ser livre à você
De ter minhas raízes em você
Não me desencorage agora
Que descrevi meus planos
E se o céu não estiver colorido de púrpura
Eu trouxe todas as suas tintas
Favoritas
Um vento azul me correu o corpo
Furioso pela minha tormenta
Brincando com meus botões
Me acariciando de você
Me acariciando de você
Me acariciando de você
Me acariciando de você
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Eu de todos os relances
Sociofobia.móveu velho.indie.desinibido.cacto travesti.esculhambação.tulipa.error.folk.macintosh.moralismo.sex apeal.senso de tempo e espaço.blush.bieboy.bagunça.scarpin perto de bolinha branca.sinal no seio direito.converse molhado.café crème.dj's.almodovan.malbouffe.préliminaire.amazonas.piercing na língua.coque.jazz.maconha de santa.cifrão.decote.fogo paulista com vinho quinado.alternativo.nu na gloria.arranhão no quadril.cogumelo.surrealismo.vomito de são jorge.documentário.bipolaridade.promiscuidade.mapa mundi.mordida.etiqueta suiça.florabygucci.blognu.Tragödie.deliniador preto.dança do ventre.fé.coruja.all star trocado.goma de mascar.bola de guem grande.vinil do Jimy Hendrix.filipeta.livro erótico.película.café com muito açucar.chocolate derretido.unhas cor absinto.techno macumba.Déjà vu.buceta.callofduty.santos.convivio social.tequila.estranha.maça verde.benflogim.sex tel.cigarro preto.meia calça rasgada.poesia suja.carro velho azul.netbook.arte de gaveta.ressaca.prataria escura.tormento anelar.vinho velho com açucar.parapeito da janela.cochilo na rede.mpb-bossa.cílio postiço.paus.junkie.drink roxo.pé-de-chinelo.fino.Victoria Secret's.Bang Bang.todo mundo muito blasé babe.
Paro

Teu deserto, teu abrigo
Aonde você pode sumir
Eu esfarelo
Me desperto em grãos
Fantasiada de alegria inversa
Todos os relógios quebrados
Caminho um sentido ao contrário
Depois paro..
Sou seu carma, seu sobressalto
Teu próprio eu-lírico, tua arte, enviado
Sou a tormenta da sua agonia
Um átomo
Sou o rubor da carne
Seu passado
Se você se despir
Sou se reflexo
Se você se despedir
Sou sua chave
Em meio aos seus passos
Te contorno novos destinos
Caminho seu destino torto ao contrário
E depois paro.
terça-feira, 25 de maio de 2010
Lindo

Acabou sua noite tudo bem mais claro
de manhã a gente toma café
Tudo em cima do muro
Muro de areia
No beijo da praça
Do sorriso lindo
Um sorriso lindo
talvez por um milagre
Escancarou minhas janelas
me embriagou da luz do dia
Me enfeitou de luz e
Deitou
Pousado ao colo
Só para eu te ver
Faz um olhar para mim
Teu amor tão bonito
Faz barulho e frio
Todo iluminado e puro
Presente no mundo
Suavemente
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Rotação
ALTA ROTATIVIDADE
Os passos dele se suavizaram ao tocar a avenida, era dia, perto da madrugada, os primeiros comerciantes se preparavam na correria cotidiana da preguiça da manhã mal começada, a rotina de todos os dias, retalhados na cara amassada para o frescor de um novo dia. Ele se agarrava a atravessar a calçada e um sujo panfleto se agarrou a sua perna que o convidava à uma exposição irreverente da carne podre humana refletida no couro animal. Parecia ser irônico largar a arte na semana que recebe um convite que sempre quis ir, por puro acaso do caso.
Algumas meninas bêbadas riam insolentes na escadaria da esquina dividindo um cigarro sujo de batom cobre, rindo se escancarando a direção nenhuma. Ele se deparou consigo, pregado ao pé do semáforo as observando, como se não fizesse parte do cenário, apenas um expectador confuso no fim de uma boba novela das oito. A mocinha de cabelo ruivo lhe atira a guimba entre seus pés e ri em disparate pois a língua não consegue soletrar 'desculpe' e as amigas de roupa colorida a encorajam a ir até ele, mas quem vai é o próprio.
Uma caneta escorrega dos dedos frios e gelados. Quem disse que no Rio de Janeiro não faz frio? Parecia mais uma imagem de Londres, bucólica e cor de cinza e alguns raios de Sol começam a desbotar do céu fazendo um risco lhe atravessa a face em resposta. Ela olha o relógio da parede, faltam apenas quinze minutos para poder sair desse cubículo asfixiante, existem pelo menos duzentos como esse no edifício, mas apenas esse exala pressa, ansiedade e excitamento.
Jacques se levanta e desliga o monitor caminhando confiante até o banheiro, ela sabe que os cubículos ao lado a observam passar, suas pernas por dentro das meias-calças, seus seios escondidos dentro da blusa frouxa e seu sexo comprimido dentro da saia é o pensamento dos seus companheiros de trabalho, mas eles notando que Jacques é fria e não correspondentes acabam sempre se contentam com o 'Bom dia' simpático que ela oferece todos os dias.
Não é novidade o prazer que todos os homens do seu trabalho querem ter na sua cama, ela já aprendeu a usar a libido a seu favor, todos eles apenas querem uma coisa dela, e dizem tudo para conseguir. Juram largar as esposas, promessas malucas de promoções, mentiras retocadas que a tornara feliz, mas Jacques vive a ponto de vomitar-lhes palavras. Não há nada no sexo que ela já não sabe, isso é o que mais a aborrece. Evitando pensar nisso que se tranca no banheiro gelado e pateticamente branco, senta-se na tampa da privada, abaixa a meia calça e calcinha aos tornozelos, levanta a saia e deixa seu corpo prazeroso aproveitar os quinze minutos que faltam,sozinha.
Assim que Markus girou a chave liberando a entrada, ela o empurrou avidamente para dentro,invadindo o ar e lhe enchendo a boca com a língua quente ainda cheio de gosto de whisk barato, de cigarro e da noite mal acabada. Ela o beijava com os olhos alcoolizados, as mãos ligeiras desmanchavam a blusa aberta. Ele porém não se movia centímetro, apenas esperando-a tomar forma e o conduzir a qualquer que fosse o cenário, pressionou seus ombros se afastando um pouco para encará-la. Sua pele em tom claro perolado enfeitado por confetes de sardas avermelhadas fazendo algazarra no rosto e busto em harmonia com seu cabelo cor púrpura berrante se desajeitando no coque espalhado em desalinho da madrugada embriagada. Ela se despiu depressa, encarando o chão em uma guerra particular, revelava os seios pequenos, o ventre ajeitado nos quadris, as coxas abertas mostrando despudoradamente seu sexo bonito que ele observou mais atentamente, vendo apenas que este ponto crucial lhe pareceu mais arte do que a humanidade. Só o que não encaixava no quadro era seu rosto nada convincente, sua apatia e desamor com seu corpo estendido à ele tão claramente, sem excitamento, sem emoção, sem sentido. Suas mãos faziam um apelo mudo e o agarraram desesperadamente, como se a entrada em seu corpo pudesse salvá-la. Era irônico, ela completamente nua como Deus desenhou a mulher e ele estranhamente vestido como se pudesse memorizar seu efeito, quando já não pode mais olhar se rendeu ao pedido e deitou a seu lado. Como em um dar de ombros e colocando-se a beijar sua água salgada despencando dos seus olhos e desejando uma boa noite, um bom dia.
Acordou sem abrir os olhos, sentindo o som de uma música fina saindo do rádio da vizinha acompanhado de um aroma e uma fresta de Sol, encarou o teto e a meteorologia da televisão sem som, o relógio parado ao lado da cama. Jacques regulava toda sua rotina, todos os horários do seu dia e todos os dias da sua vida, todas as suas horas eram observadas e cheias de limitações de suas obrigações, todos os dias, exceto o domingo, este era o dia sem hora, sem cor, sem texto, sem gente, onde ela era dona de todas as horas, podendo ir e vir do mesmo momento dentro da sua imaginação. Era a única fantasia que se permitia fazer, se abster da rotina como todo mundo fazia e completava a sua forma como se as horas fossem de massinha de modelar fazendo filmes sem sentido em stop motion, sentia-se sua própria dona dentro do mundo feito em uma canção de bossa nova dos anos setenta, emprestados do apartamento de parede fina ao lado. Apertou um cigarro em seda-napo queimando a garganta e jogando a fumaça densa da boca para dentro da cabeça indo embora com elas as lembranças torpes, meio borradas da noite passada, que justificavam a inquietação, a necessidade de calcular seu tempo, fazendo seu corpo se retorcer em resposta. Como ela não sabia o quê era tal coisa, o que a havia acometido se prontificou a não fazer nada, exceto cantar a velha música em francês errado de propósito, como ela diria.
Irritado consigo mesmo e finalmente desperto, reabriu seu passado mais cedo e quando percebeu era noite, em um elipse real da sua própria figura desenquadrada, não tinha comido, nem bebido nada fazendo sua carne doer de exaustão. Sabia que estar vivo é não somente vagar e sim posicionar sua figura para outras pessoas constatarem sua existência, o quê ninguém viu, não pode existir ao mundo, e isso o agitava mais. Cinco telas estranhas e sem nexo o censuravam agora e por pouco ele poderia jurar que nunca as tinha visto antes até esse instante, como se as tivessem sido arrancado de dentro da sua mente em um ritmo tão ligeiro que o corpo não acompanhou. A casa cheirava a mulher e tinta a óleo deixando imaculado o lenço dela estirado no meio do caminho denunciando sua vinda e estadia. Nenhuma das cores e formas poderiam fazer demonstrações de como ela era por dentro, do que ele tinha visto, ou do gosto dos seus olhos, seus dedos cobertos por tintas substituíram os pincéis naquelas telas, nada realmente se parecia com suas próprias imagens e pode ver nitidamente que sua memória havia lhe traído, a todo instante sua imagem vinha e sumia antes de ser capturado. Em um canto afoito da janela via os letreiros reluzentes em neon o intimando a rua, mas não se permitiu mais uma noite acendendo velas a si próprio no Baixo Gávea, essa noite iria ser só de café e dela.
Aquele som a atormentava, confundiam seu caminho e sua esperança do certo e errado. Os carros agitados de fim de semana se esbarravam pelas ruas e pareciam contentes em atropelar uns aos outros com suas buzinas estridentes, que mais a distraiam que guiavam, as bicicletas coloridas na contra-mão ainda ponderando atalhos ou ruas compridas, todas em busca de caminhos rápidos e ela resgatando alma no fundo das lembranças de onde a sede insuportável começou. Ela só queria se tele-transportar rápido sem chamar a atenção demais dos seus cúmplices do tráfego que buscavam seus seios balançando no galope das ruas esburacas e percebendo o embaçado dos seus cabelos chamativos a cada jorrada de vento frio, chamando para si toda a atenção dos seus demônios pessoais e pareceu estupido endemoniar homens e correr ao encontro de um. Um dos seus perseguidores a chamou e se posicionou num tropego mais rápidos, e ela o ignorou rapidamente, em algum lugar do mundo das horas era tarde, e ela, só. Por um instante de segundo, ela sentiu culpa pelo desejo dos outros homens e quis que isso parasse para que pudesse seguir seu caminho sem medo, mas para sua desgraça um botão se desprendeu, enchendo a gula da malícia. Pedalou de olhos fechados. Se se esforçasse sentiria as mãos grandes já pousadas sobre ela.
Seus olhos se abriam e fechavam em sufocamento, era como se os olhos vissem pela primeira vez, sua boca estava seca em curva de sons incompreensíveis e nada era humanos em um dialeto bizarro de um dueto feito por bocas agora desocupadas, suas mãos agarradas ao lençol da cama com veemência , seus joelhos levemente curvado oferecendo seu calor que fez queimar todo o corpo, todo chão e ar.
Se movimentaram juntos em contraste corpóreo se arregalando de espasmos alucinógenos e pode sentir que alguma coisa estava errada, ou certa demais. Era algemada pelas pernas em posição de rendição, mas dessa vez ela não queria comandar, só queria poder brincar de domingo e esticar essa sensação, para sempre. A cada entrada, a cada saída sentia-se mais próximo do centro de todas os pecados carnais, não haveria uma só vontade que seu corpo pedisse naquele momento que pudesse negar e ela em resposta não ousou se modificar apenas estendeu a pelve, o colo, o útero se colocando despudoradamente a ele, em um pedido de mais. Seus seios em auto relevo, molhados e arrepiados se misturavam entre cabelos soltos enroscados pelo corpo, cada vez mais rápido e urgentes, cada vez mais impiedosos e prazerosos, o suor lhe escorrendo a pele enquanto mente incapaz de captar todos os sentidos ao mesmo tempo se prostrou a escapar um gemido de satisfação que resolveram falar igual, ambas transbordando de gozo, de sede, de realização e de prazer.
Ela ajeitou o relógio do domingo encerrado e já era hora de contar as horas.
Ele ajeitou as tintas na tela e as jogou fora,
O gosto do seu sexo por dentro em nada tinha gosto de tinta.
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