
Era fácil dizer que era racional, só o que não era fácil seria alargar cada passo que separava o encontro, entre ela e ele.
Decidido assim ser o encontro no bar, bar esse que tudo começou em um encontro de fim desastroso
agora esse fim, teria de fato o fim dos dois.
Ele se encontrava sentado mordicando alguma coisa, ela, apressada no intuito de não parecer abalada, ele era o gelo em carne humana, e ela, se continha a segui-lo, mesmo com a ansiedade marcando seu estômago.
Ela sentiu seu rosto se esticar num sorriso sem dente expondo toda simpatia que não sentia, com a desculpa pouco convincente talvez a entrega de discos que ele a emprestara e agora estava ele, o causador da insônia e saudade, a saudando de forma branda e real, era o que ele era, real, ela, beirava a irrealidade, a controvérsia, a maldade existente na gentileza, que nada lhe favorecia.
-Eu estou apaixonada por você, eu não sou quem você viu naquela quarta-feira, eu quero sua vida para mim, sua paixão cega, quero seu gole de uma gota só, quero teu peso sobrepondo o meu, todos os dias.- Sua mente agitada chegou a ouvir as frases dentro da cabeça, mas o que realmente aconteceu, foi um singelo – Olá, como vai? Quanto tempo!
Ele por sua vez, repetiu as mesmas coisas, o mesmo tom de casualidade e um certo desconforto lhe sobressaltava as têmporas disfarçada a sua cortesia.
O assunto da sua boa tagarela eram os vinis e as músicas, ele ora ria, a conversa se tornou mais amigável, sua veia parou de se agitar na sua testa e seu sorriso se tornou sincero e lembraram o por quê haviam se deitado na quarta-feira passada. A cerveja arranhava a garganta, soltava seus braços e bocas e eles se dispunham a falar como antes, a boca se tornou perigosamente mais próxima como antes e as borboletas saíram em voou raso dentro da sua boca.
- […] E até por quê isso você sabe, já me viu nesse estado.. - Ela se retesou antes das palavras tomarem forma e sentido fora da língua, mas não tinha como voltar atrás, nomeou a cabeça e sentiu a frieza exalando dele que fez sua pele arrepiar e ela sentiu que era hora de partir.
-Olha eu tenho que ir, sabe como é, depois fica complicado para eu voltar para casa. - Se houvesse qualquer inclinação para convite de outra noite menos caótica esse seria o momento e ela sabia, suas palavras eram meticulosas e seus olhos fincaram em uma visão cega.
-Ah é verdade, também eu tenho muito o quê fazer, essa faculdade está me matando, você sabe.
A rua se estreitou as suas pernas, e a noite se aninhou em pedaços a passos, o cigarro quente suavizou seu tremor e ficou horas até os minutos a sua casa imaginando as coisas que poderia ter dito para que houvesse algo conhecido para lhe acompanhar para casa, estreitos seu casaco aos seios e caminhava a toca, tão consciente quanto podia que se e ele não fosse a escultura em mármore mal feito que transparecia não precisava se esconder tanto atrás de vinis emprestados, sua sombra deixara de seguir no último quarteirão e tudo se tornava púrpura, até seu ar.
Imagina-se como a vida pode ser diferente a cada passada, a cada tomada de decisão, se não fosse o conter de línguas e libido, talvez seus braços não seriam seu abraço, ao menos essa noite.





