segunda-feira, 9 de agosto de 2010

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Que bicho te mordeu, moço?
Com tua alma machucada
Teu pelejo pendente
Tua aurea
Tão abstrata
Picotada em tua barba
Quem te cortou?
Teus olhos fundos vermelhos
Chorando fumaça verde
E talvez
Talvez você entenda
Está longe demais
Três passos a tua direita saudável
Perdida no meio da reta
Quem te perturbou?
Sentado assim, polido
Cruzado
Triste, Triste destino
Algo que quer provar?
Mas não vale a pena?
Eu queria te levar
Mas agora eu vejo
Redomas não quebram
Areias não se juntam
Por sí
Te maldizeram muito?
E valeu a pena?
Valeu?

Illinois

Ele me pegou num bar sujo em Illinois,
Ele falava de revolução e desordem
Agarrados a mesa de um bar
Um homem pediu dinheiro
Ele nunca dá
Talvez ele também não acredita em gorjetas
Mudamos de assunto tantas vezes
Nem sei agora sobre o quê falavamos
Ele me parecia certo
Mas meu corpo só queria fugir dalí
Era quente demais
Suas tatuagens de prisão
Talvez ele tenha passado um tempo por lá
Ele era filho dos anos sessenta
Eu, a ressaca dos anos setenta
Meu Deus! faça ele parar
Masturbação coletiva
Filho de Trevas sedutores
Adentre mais!
O quê?
Agora?
Ele me arremessou a um motel com baratas vivas
As cores verdes ressaltaram sua sombra laranja
Eu ponderei, mas me mantive
Ele estava a todo lugar
Dentro, dentro demais
Forte, forte demais
A cerveja quente
Cigarro amargo e erva forte
Teu punho atravessado a minha nuca
Eu ouvi um grito - o meu?
Eu tentei respirar
Meu perfume em sua pele
Estica meu cérebro
A sensação é boa
Você está no clímax?
Ahhgora não..

Soltas

Eu não só acredito em juras de amor
Pois eu mesma já jurei
E menti demais.
Mas já amei
Mas não devo amar mais.

Não ser

Essa não é mais uma poesia
Não é apenas poesia de bar
Não é nada demais
É algo que você já deve ter sentido
Ou visto
Eu já vi,
Já te vi
Se eu encarnasse em outra coisa
Mais colorida
Mais viva
Minha cor combinaria mais com você
E você saberia
Toda a minha vida
Todas as minhas certezas
Arduamente conseguidas
Se desmancharam
Eu me desmanchei
Dentro de você
Você nasceu a tanto tempo
Com sua voz de pôr-do-sol
Mas pra mim sua existência tem menos que alguns dias
E como pode ser ?
Se não ser..

domingo, 8 de agosto de 2010

Por Getúlio Ribeiro

Vermillus=Vermelho.

Ipsis litteris é uma expressão que vêm do Latim que significa "pelas mesmas letras", "literalmente".
É utilizado para indicar que um texto foi transcrito fielmente ao original. Pode-se também utilizar uma expressão de mesmo significado, ipsis verbis, que quer dizer "pelas mesmas palavras", "textualmente".
Em tese é cópia literal de um texto.

Esse texto = Hanny Saraiva me ensinando um pouco de latim.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

http://projetoescuridao.blogspot.com

Impaciente, se concentrou no ponto máximo do seu corpo.
O calor, escorria pelos seus poros no quarto sem ventilação
Se agarrava ao beiral como se dele dependesse a eternidade
E se sentiu assim, um pouco mais animal que habitual
Aos poucos, junto com sua respiração fez-se necessário os sentidos
Ouvia o rapaz ofegante recobrar o fôlego,
Sentia sua pele latejando
O gosto salgado do seu corpo temperando a língua
O cheiro ocre de carne humana..
Mas o que não voltou rapidamente foi sua visão
Misturada a vertigem e a cor de nada preto sombreado
Como se a caixa de Pandora fosse finalmente aberta
Se sentiu deslocar em vitrais de futuro tão passado
E não pode afirmar se alguma vez viu cores e cor de Sol
Ou sequer uma estrela
Tudo era tão naturalmente cor de escuridão
Que pestanejou agitada a mente obscura se alguma vez de fato
Viu luz
O declínio fatídico de todas as coisas
Junto com ela lhe foram tomadas
O rapaz sexuadamente satisfeito a seu lado sumira
O gosto de sexo levado com ele
O cheiro animal suado foi junto a brisa que não passou
Seu corpo tão bem conhecido e projetado se embalou em dormência
Sem sentido algum
Acompanhando a ausência de cores primárias
Sentiu-se em pé
A varanda da janela
Nada via, mas não se desesperou
No fundo dos seus sonhos sempre soube
Que a luz lhe trairia levando seus sentidos consigo
E que a escuridão por fim lhe engoliria.

Boca de algodão

Ela tão pequena,
Tantas palavras
Tantos livros
Vidros enclinados na sua borda
No seu Nariz
Sua origem de histórias perdidas
Sua infância toda que eu sonhei estar
E estive
tive

Já não se pode confiar
Tua boca de algodão macio
Que despeja chumbo
E mesmo assim
Eu te levo a todo lugar
Mesmo que você não vá.

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